quarta-feira, janeiro 03, 2007

Tu nunca te esqueças nunca

“Já não acredito em algumas palavras de mudança, mas eu que não sei muitas coisas, é bem verdade, ainda acredito em ti, no teu andar, nos teus passos, no teu caminho, nesse inseguro desperdício de certezas, pois sei que amanhã essas palavras vazias que te dizem agora serão trocadas por outras, plenas, luminosas, encostadas ao tronco de árvores honestas, gozando a sombra discreta do Sol, luz para a dor, mesmo logo depois do vento ter empurrado as nuvens, o Inverno, e serenamente a maré ter subido tão melodiosamente como a musica para nenhum instrumento, tão vagarosamente repetida que se podia ouvir a noite inteira…
Porque tu, dois olhos, olhaste firmemente, decisivamente, para depois do horizonte e no paredão, pedra junto ao mar, escreveste com a boca, letra redonda, «tu nunca me esqueças nunca» e rodeaste com alivio esse branco abandonado. E é só nisto que acredito, pois não sei mesmo muitas coisas, é bem certo, mas sei bem que o melhor remédio para continuar a viver sem por ninguém ser amado é não morrer sem amar alguém.”

Pedro Strecht

1 comentário:

jo disse...

Lindo! Lindo e tão verdadeiro... É mesmo muito triste morrer sem ser amado, mas muito mais triste e vazio é morrer sem ter amado! Bj gd