terça-feira, outubro 31, 2006

Sinto falta

Dos amigos fala-se sempre, para sempre….

Sinto falta disso, dos amigos.. das pessoas que nos ouvem, que falam, que estão…sinto falta de estar lá… no lugar certo a fazer a coisa certa… com tudo a bater certo…

Sinto a falta do mundo a girar na sua rota, sinto a falta de cafés.., de conversas sem nexo, de tirar o nexo ás conversas sérias…

Sinto a falta de tanto… de tudo… de voltas e voltas á volta do mesmo….

Sinto a falta de falar,… falar a sério, com pessoas que sabem o que sou e pronto….

Sinto falta… sinto sim… muita… de rir… rir a sério de coisas a brincar…

Sinto falta de chorar sem ser preciso cair lágrimas, sinto falta dos abraços, dos braços, dos gritos….

Enfim…. Sinto a falta de pessoas… das minhas pessoas… das pessoas que habitam o meu mundo…

Para ti...

Para ti… há tanto tempo que não te digo nada, há tanto tempo que sai daquele caminho que me obrigaste a prometer que nunca deixaria…

Há tanto tempo que te desiludi… há tanto tempo….


Mesmo depois de tanto tempo, de tanta ausência, de tanto tudo e tanto nada…

Voltei, como sempre… depois de cada tempestade… estarei sempre aqui, não no teu caminho como nas outras vezes… mas aqui.. onde me deixaste da ultima vez que quebraste tudo…

Deixa-me que te conte, que te explique, ainda que sem argumentos, que nem sempre o caminho mais fácil é o melhor…

Eu que sempre disse que jogar pelo seguro é o melhor… como se muda de ideias não é?!?!?
Arrisca… tenta… o seguro é o correcto, mas será o melhor?? …quando te sentares, depois, quando a tormenta passar e navegares num mar de rosas, vais realmente ter a certeza de que calmaria te sabe melhor agora, depois da tormenta… depois de arriscares…
Tinha que comentar o comentário… eu bem que sabia que falar do que não sei ia resultar mal…

E logo me meti eu a falar do amor…

Pois bem, admito… desconheço do que se trata, e se sei.. com certeza que me passou ao lado…, gabo-lhe a sorte,…, porque tenho a certeza que dava cabo dele… :P

Por isso, cara Marisa, não desacredito o amor… só falo do que não sei… como sempre…

No entanto… olha, aqui vai mais um poema de amor… bem ou mal…

"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondasàs urgentes perguntas
que te fiz.

Deixa-me ser feliza
ssim, já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
o nosso amor durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada..."
Miguel Torga

Sabes como sou....

Sabes bem como sou… como levo as coisas e o que penso das pessoas… também sabes como me vejo, a noção exacta do meu mau feitio… mas agora.. rodeada de gente nova… pergunto-me : - será tão evidente esse meu mau feitio?

Provavelmente poderia aproveitar para mudar…, ninguém me conhece mesmo… mas não seria justo para mim…, nem para aqueles que ao longo dos anos têm levado com esse mau feitio tão bem me caracteriza…

Sabes, ás vez sento-me lá… no nosso cantinho de conversas secretas á espera de te ouvir contar os segredos do fim do mundo… espera de ver os teus olhos fixos nos meus para também eu te contar tudo… as conversas dos feitios maus… das birras, …, das teimosias de que quase sempre saía vencedora… :)

Será que valeria a pena mudar esse feitio… tu mudaste… és agora outra pessoa… olho para ti, no nosso canto, e não te reconheço… os teus olhos já não falam, as tuas mãos já não mexem, o teu sorriso já não me faz sorrir… mudaste…

E eu… aqui, no mesmo canto, na mesma cadeira, com o mesmo feitio…, sem os mesmos amigos…

Vazia

Há algum tempo que não escrevo, é verdade, e por incrível que pareça, eu que ando sempre a falar, ando sem ideias, sem palavras, sem coisa alguma…

Uma coisa puxa a outra e depois das ideias, das palavras,…, vem os gestos, as atitudes…

Pois bem, assumo perante os meus (pobres) leitores, que ando literalmente com um feitio de caca…

Pelos vistos, e segundo pessoas próximas de mim, não digo nada de jeito, consequentemente não devo de fazer nada de jeito…

“não dás valor ao que tens”… não dou??

Pus-me a pensar… não valorizo o que tenho?? Não dou nada aos outros??

É provável… finalmente parece que toda a gente descobriu que sou uma insensível, que não deveria de ter coisa alguma, porque não fiz nada para merecer o que quer que seja… é justo…

Olha… sei lá… toca a andar que para a frente é que é o caminho, e com o caminhar, pode ser que ganhe alguma coisa, que deixe finalmente de ser vazia…

sábado, setembro 23, 2006

cativa-me

“Cativa-me - disse a raposa” e o pequeno príncipe cativou-a, e ela deixou de ser uma qualquer raposa e ele deixou de ser um qualquer rapazinho…

Os amigos também nos cativam, também nos tornam diferentes e mudam por nós…, e deixamos de ser seres sós, somos seres cativados e cativos…, ligados eternamente a amigos para os quais vamos ter sempre tempo, para os quais vamos estar sempre presentes…

quinta-feira, setembro 14, 2006

Mia couto

Estava sentada em frente ao computador a pensar em postar aqui qualquer coisa.. mas só me vinha á memória um poema do Mia Couto, daqueles lamechas e de fazer suspirar qualquer insensível (sim, para quem está com ar de descrédito a pensar :”- como se alguma coisa se te fizesse suspirar”; eu também suspirei…lol).
Depois pensei que se o escrevesse, no mínimo iam pensar que me tinha apaixonado loucamente, e andava com uma nuvem cor de rosa a pairar sobre este meu cérebro sem ideias… puro engano… não estou apaixonada, e agradeço o estado de espírito apático em que me encontro…
Assim sendo, e depois de reflectir acerca desse imenso engano em que vos iria induzir, resolvi fazer esta introdução explicativa…

E agora sim.. passo a citar :

Diz o meu nome
Pronuncia-o
Como se as sílabas te queimassem os lábios

Sopra-o com a suavidade
De uma confidencia
Para que o escuro apeteça
Para que se desatem teus cabelos
Para que (tudo) aconteça

Porque eu cresço para ti
Sou eu dentro de ti
Que bebe a última gota
E te conduzo a um lugar
Sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
Sou gesto e cor
E dentro de ti
Me recolho ferido
Exausto dos combates
Em que a mim próprio me venci.

No húmido centro da noite
Diz o meu nome
Como se eu te fosse estranho
Como se eu fosse intruso
Para que eu mesmo me desconheça
E me sobressalte
Quando suavemente
Pronunciares o meu nome.

terça-feira, setembro 12, 2006

mais história dentro da historia

Mais uma história…, no meio de tanta história.. daquelas histórias acerca de duas pessoas que se amam.., e como é de conhecimento comum,… se duas pessoas se amam, nunca poderão ser felizes (já dizia o Hemingway “se duas pessoas se amam uma à outra, não pode haver final feliz”)

Esta história é baseada em factos verídicos, verdade seja dita, nunca foi noticiada, nem adaptada para um filme, mas de qualquer modo, é uma história e todas as histórias têm o direito a um momento de fama, ainda que a fama passe somente por um blog reles que só amigos meus obrigados pela autora (eu) frequentam…

Mas essa histórias, a tal de duas pessoas que se amam e que consequentemente se separam, aconteceu, num presente actual, com pessoas que se cruzam diariamente connosco.

Foram felizes, disse-me ela, durante algum tempo, durante muito tempo até… estiveram juntos e juntos passaram por tanto…

Mas mudaram as coisas, mudaram os mundos, mudou a economia,…, mudou tudo… e eles também mudaram… ela mudou de olhar e ele mudou de casa e casou com outra…

Ainda lhe diz que a ama, ela ainda acredita.


E depois a pessimista sou eu… lololol

Não respondes?

O mundo é redondo??
Mas mesmo redondo, redondo? Assim como uma bola de futebol?
E a chuva?, sempre é a água de alguém que rega as flores lá em cima??
E a areia, são mesmo migalhas dos bolos que os anjos comem?
E o mar? sempre é no mar que moram as sereias?? E cantam? Essas sereias cantam para encantar as pessoas?
E o sol? É verdade que o sol se esconde envergonhado da lua?
Estás-me a ouvir?!?! Porque não me respondes?

"vê mais alto a gaivota que voa mais alto."

Era um texto batido, demasiadas vezes lido, comentado e pensado, era uma frase comum…, quem nunca leu Fernão Capelo Gaivota? A estória da gaivota que voava alto de mais, tal como sonhava alto de mais?!?… mas também, quem nunca tinha sonhado alto de mais?!?

Ia escreve-la de qualquer forma, batida ou não…, era o que precisava de dizer, também tinha o direito de pensar, porque as suas asas também eram nada mais nada menos do que o seu pensamento.

“-para começar – disse pesadamente -, vocês têm de compreender que uma gaivota é uma ideia ilimitada de liberdade, uma imagem da Grande Gaivota, e todo o vosso corpo, desde a ponta de uma asa até à ponta da outra, não é mais do que o vosso pensamento.”

Talvez ninguém chegasse a ler o que escrevera, ou provavelmente não entenderiam,…, talvez fosse mesmo uma utopia sua… talvez também os seus voos fossem demasiado altos,.., ou talvez, também alguém, tal como o Francisco Gaivota chegasse à conclusão de que “não há limites…”

quarta-feira, setembro 06, 2006

Não quero

Definitivamente não gosto de novas pessoas.
Não gosto… não gosto que me digam que a tal pessoa é assim e assado…
Quero lá saber como ela é, não me interessa o que faz, o que pensa, o que diz… não quero conhecer mais ninguém, mais nada… basta-me o que tenho, quem conheço…
Não quero mais amigos, tenho os meus. Mais… não quero mais hipóteses… já tive as minhas… não quero mais nada…


Hoje, não quero que me digas o que.., ou quem é o ideal…, quero bater com a cabeça na parede até EU compreender que errei… quero que me ouças, somente… que fiques parada na tua cadeira favorita e me ouças, que concordes comigo, ainda que me saibas errada…Hoje preciso que me protejas, que sejas acima de tudo o que sempre foste… quero que sejas amiga, daquelas que ás vezes nos amparam os golpes em vez de chamar à realidade…

Leitura em dia

Quantas vezes já não ouvi dizer que ler é uma perda de tempo… que pode instruir, mas que no fundo.. não passa de um passatempo reles e pouco lúdico..
A esses, aqueles que não gostam de ler, que a leitura mais interessante é mesmo o que escrevo neste meu cantito (com isto quero dizer – aqueles que não lêem mesmo nada de nada de interessante) aqui fica um incentivo á leitura.. e àquilo que um livro pode significar, mesmo que não seja o livro da nossa vida, nem do nosso momento.. um livro é sempre um livro…

Este livro.
Passa um dedo pela página, sente o papel
Como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto.

Este livro tem palavras, esquece as palavras por
Momentos. O que temos para dizer não pode ser dito.

Sente o peso deste livro. O peso da minha mão sobre
A tua. Damos as mãos quando seguras este livro.

Não me perguntes quem sou. Não me perguntes nada.
Eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.

Pousa os lábios sobre a página, pousa os lábios sobre
O papel. Devagar, muito devagar. Vamos beijar-nos




A casa, a escuridão de José Luis Peixoto

sábado, julho 15, 2006

Tempestade

No meio da tempestade, no meio do remoinho……

De uma vez por todas, abre a porta dessa gaiola, de uma vez por toda deixa de alimentar um animal que não desejas…
De uma vez por todas deixa esse pássaro voar, procurar outro ninho, outra gaiola talvez… mas de uma vez por todas, liberta-o, deixa-o seguir o destino de pássaro que lhe coube… de uma vez por todas faz o que sempre quiseste fazer, solta-o e solta-te… deixa-o ir e vai…

Onde?


É, quando te disse que a história seria tua, quando te informei do fundo muito fundo em que te afundavas,…, quando te olhei nos olhos e te abanei… quando disse para parares para deixares tudo de lado…
Onde estavas? Onde estavas quando te disse tudo?
E agora??? Onde estás agora? Depois de perderes a alma, depois de perderes o que nunca chegaste a ter?


De tudo o que se perde, o que nunca se teve dói mais…..

quarta-feira, julho 12, 2006

Afectos

Deixa-me que te diga… que te conte os segredos dos beijos que não deste, que te descreva a imensidão do abraço, que te informe da vida,.., dos que sentem…
Senta-te, puxa da cadeira e senta-te, com calma, sem a pressa de mundos futuros, senta-te somente.
Escuta o que tenho para te dizer, o que sempre perdeste da vida… os cheiros, as cores, todo à tua volta gira e torna a girar, mas tu, sentado nessa cadeira.. escuta-me somente.
De tudo o que tenho a dizer, nada me importa mais que a falta de braços em torno do teu corpo.. nada te fará mais falta que a certeza de existires…
Ouve….
………

………….
Agora, depois de ouvires, de saberes o que penso de ti, depois de saber o mundo que perdes, depois de tudo… levanta-te dessa cadeira, abre os braços e descansa no meu abraço.

Conversas

Em conversa, daquelas conversas normais… demasiado banais para se considerarem sérias…
Surgem sempre coisas que nos fazem pensar… coisas que são claras para uns e completamente obscuras para outros.
Aquela bendita frase do tudo se resolve, ou até mesmo a que diz que todas as coisas têm solução.
Será? Será que na realidade tudo tem solução?! Que no fim da tempestade vem o tal espaço de bonança?
São opiniões,.., daquelas que divergem tanto de pessoa para pessoa…
Há coisas provavelmente sem solução, sem bonança, sem arco íris, coisas que não mudam, que não melhoram…
Mas também, a nossa capacidade de nos habituarmos a tudo, a nossa capacidade de viver no centro da tempestade, no meio da chuva…, essa capacidade faz-nos muitas vezes acreditar na solução para tudo…
Mas não há solução…. só habituação,.., conformação…

sexta-feira, julho 07, 2006

loucos..


Louca… mil vezes louca, pessoa inacabada do que nunca se alcança…
E depois? Não será nesta loucura que se busca o universo total? Procurando entre pessoas loucas a razão de tanta loucura… loucos? Loucos são os sonhos, aqueles que nos permitimos ter, na esperança louca de alcançar o que nunca será nosso…
Somos todos loucos, loucos por tudo, por nada, uns pelos outros…, qualquer coisa faz de nos loucos.
Agarra essa loucura que te prende, faz dela um motivo…, ou simplesmente esquece o louco que vagueia noite dentro, sem tempo, sem amanha, sem ontem… e desce á terra.. sem sonhos, sem loucuras, sem ti…

sexta-feira, junho 16, 2006

Regressa a ti


Habitas o teu castelo de areia, esperando ansiosamente que tudo se torne no conto de fadas que acreditas existir…
Mas nos oceanos das sereias azuis…, não há fadas, não há desejos, não há ilusões…
Nem nesse mundo de fantasia, com a lua a brilhar para ti, os teus desejos se realizam…
Então vai… segue por essa estrada de flores até ao infinito do que nunca foste… seguindo o trilho do que anseias ser…
Volta para onde nunca deverias de ter saído… regressa á tua realidade e aproveita o que ela te dá….

Desce ao nosso mundo…
Aos amigos…
A nós…

quinta-feira, junho 15, 2006

Fragilidade
Talvez pudesse o tempo parar
quando tudo em nós de precipita
quando a vida nos desgarra os sentidos
e não espera, ai quem dera
Houvesse um canto pra se ficar
longe da guerra feroz que nos domina
se o amor fosse um lugar a salvo
sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
e voltar-se a preencher o vazio
é tão duro aprender que na vida
nada se repete, nada se promete
e é tudo tão fugaz e tão breve
Tão bom pudesse o tempo parar
e encharcar-me de azul e de longe
acalmar a raiva aflita da vertigem
sentir o teu braço e poder ficar
É tudo tão fugaz e tão breve
como os reflexos da lua no rio
tudo aquilo que se agarra já fugiu
é tudo tão fugaz e tão breve
mafalda veiga....
por agora...
por nada...